terça-feira, 13 de abril de 2021

DOCUMENTO HISTÓRICO DA ANTIGA FAZENDA SEBOLLAS

 

Carta de Aforamento da Fazenda Sebollas

Em Sebollas em tempos mais recentes viviam os Carneiro de Mendonça, de origem mineira, como fazendeiros abastados e possuidores de terras e de um engenho de açúcar.

Eram eles os irmãos Eduardo e João Carneiro de Mendonça que em 1845 pretenderam aforar sua fazenda naquela localidade ao governo da província. Coube ao tenente coronel o engenheiro Galdino Justiniano da Silva Pimentel, transmitir ao Presidente da Província do Rio de Janeiro por meio de um oficio um documento enviado por João Carneiro de Mendonça e a proposta por ele e seu irmão, apresentada a apreciação do mesmo presidente.





A documentação que ora transcrevemos é do arquivo do estado do Rio de Janeiro, sediado em Niterói e colado e diversas coisas sobre “colonização”. Um deles é o ofício do tenente Coronel Galdino ao Presidente da Província – Tenho a honra de levar à presença de Vossa Excelência a inclusa proposta do coronel João carneiro de Mendonça visando o aforamento da sua fazenda, no lugar denominado cebolas para o estabelecimento de Colonos. A maior parte dos terrenos desta fazenda está ainda coberta de matas virgens e capoeiras grossas contendo, segundo me informou o mencionado Coronel, grande quantidade de madeiras de construção, faltando-me os conhecimentos que se adquire com a prática da lavoura para julgar das qualidades da terra, nada posso informar para vossa Ex, sobre este objeto. Diz, porém o proprietário, pessoa entendida na matéria, de reconhecida probidade e dos que gozam de maior consideração destes lugares, que as terras de inferior qualidade e que mesmo assim produzem bem a mandioca, batatas e grãos, poderão quando muito ocupar quarta parte da fazenda.

A casa de vivenda e a do engenho de açúcar são além de espaçosas, construídas solidamente.

Estes dois edifícios e os demais mencionados na proposta podem acomodar de 90 a 100 famílias que é também o máximo que poderão alimentar as terras da fazenda, executadas de má qualidade levando cada família um prazo com 100 braças de frente e 150 de fundos.

O desejo que mostra ter o proprietário de aforar a sua fazenda para um estabelecimento tão importante e faz crer e que aceitará qualquer modificação que vossa Ex. Queira fazer á sua proposta.

Deus guarde a V. Ex.

Quartel da 3ª seção do Estado na Pampulha, 6 de agosto de 1945.

Ilmo. Ex. Senhor Conselheiro cândido Batista de Oliveira, vice-presidente da Província do Rio de Janeiro. Galdino Justiniano da Silva Pimentel, tenente coronel, chefe da mesma seção.

O proprietário da fazenda produziu o documento que se segue:

Ilmo e Ex. senhor Presidente:

Por intermédio do Ilmo Sr, Galdino vem de chegar ao conhecimento de Vossa Ex. a proposta que fizemos sobre o aforamento desta fazendo em favor dos colonos. O Senhor tem. Coronel Galdino aqui esteve depois de encaminharmos  a capacidade dos terrenos e das propriedades, assentamos que as terras acomodam para mais de 100 famílias, tendo os edifícios cômodos bastante para todos sem acanhamento.




Nós estamos prontos para aforá-la, porque temos desejo bastante de que os colonos prosperem pois consideramos ter bastante utilidade para o pais. Embora digam algumas pessoas que os terrenos não são bons eu tenho alguma prática de agricultura e antes de comprá-la encaminhei. Produz bem: cana, feijão, milho, mamona, algodão, aboboras, trigo em todas as vertentes do córrego que é bastante cortado.

As terras inferiores produzem mandioca, batatas e dão muito pasto de que a Colônia há de infalivelmente ter muita necessidade.

Hoje está experimentando que a mandioca torna-se mais econômica para o sustento de porcos gordos, em razão de facilidade de sua cultura. A abundância de madeiras que há, muito fáceis de tirar, oferece-lhe um meio donde possam tirar interesse com vantagem. O mesmo Tenente Coronel falou-me para mandar vir de Minas algumas criações para os colonos, não me recuso e farei as necessárias diligências a fim de que  venha o maior cômodo possível, logo que Vossa Excelência determinar. O preço de dois reais e meio, indicado na proposta, parece-me razoável e daremos um ano livre ou de fogo morto. Rogo então a Vossa Excelência. É que, sendo aceita a nossa proposta, ordene com a brevidade  que a Vossa Excelência. For possível a efetividade deste negócio.

Desejaríamos que Vossa Excelência mande examinar o quebramento das pedras que há na Posse de Cima, fazenda de José Ferreira, perto do Taquaril, Estrada de Mar de Espanha, onde há hoje grande concurso de tropas.

Lugares há que é de grande necessidade este serviço.

Eu sou com simpatia.

De Vossa Excelência.

Afetuoso atento criado e obrigado.

Fazenda de Cebolas

5 de Agosto de 1845.

“João carneiro de Mendonça”

Afinal o documento da proposta:

Os abaixo-assinados proprietários de Cebolas, sita na estrada geral de Minas, não duvidam aforar esta fazenda ao Governo da Província para estabelecimento de colonos.

Esta fazenda tem braças quadradas 206.700, contando-se da estrada para o rumo de oeste, 1.030 braças de testada, com 1.500 de fundo, da mesma estrada a lesta tem 580, com fundos de 90 braças. Calculamos ter a quarta parte de terras inferiores, que todavia servem  para plantações de mandioca, batatas; tem madeiras e servem para pastos, os quais ficam sem preço. Abatendo-se estas no total de braças quadradas fica liquido 155… a braços quadrados.

Os abaixo-assinados querem por cada braça dois reais e meio anual, que somam em RS 3:875$625.

É preciso notar que estas terras têm grande porção de mato virgem, capoeiras altas de vinte a trinta anos, abundantíssimas de madeiras de lei e fáceis de tirar. Já tem roça feita de 36 a 40 mil braças quadradas, 26 a 30 mil pés de café parte já dando; terreno de 30 mil braças ocupado com canas, mais de 9 mil braças com cana em estado de moer; um outro partido com 9 mil braças de dois partidos de mandioca; edifícios em bom estado muito bem construídos. Uma casa de sobrado com grandes cômodos para recolher de 20 a 30 famílias.

Uma casa com 115 palmos, de 6 braços, uma tenda de ferreiro com dois braços contíguos, uma casinha com 40 palmos quadrados, três laços de rancho de tropas, com 60 palmos e 30 de longo, casa de forno e galinheiro, moinho e casa com 30 palmos,engenho de moer cana de 250 palmos de frente e 170 de longo com todos os cobres para se fazer açúcar em muito bom estado, um alambique, um que leva 12 pipas, uma casa coberta de sapê, onde está o aparelho de moer mandioca movido por água com todos os pertences, dois sítios na mesma fazenda com casas cobertas de sapê, já com alguma plantação de mandioca e café, alguma madeira tirada, podemos ambos acomodar algumas famílias, além de algumas coisas que tem de lhes servir e que se não mencionara. Ficando tudo incluído na quantia de RS 3:875$625.

                Os abaixo-assinados dão um ano livre ao fogo morto.

                Fazenda de Cebolas, 05 de agosto de 1845.

                João Carneiro de Mendonça e Irmãos.

Ainda declaramos que a fazenda com cômodos para estabelecimento de 100 famílias não só pelo terreno que tem, com porque é bastante cortado com numerosos regatos, além de outros ribeirões. As casas que tem oferecem asilos para todos provisoriamente, podendo muitos ficar arranchados vantajosamente. Mendonça.”

Documentos do Arquivo do Estado do Rio de Janeiro. Niterói.

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